Tendinopatia do Tendão de Aquiles
Definição
O tendão de Aquiles é o tendão mais forte do corpo humano, sendo fundamental para a marcha, as atividades da vida diária e o exercício físico. 5 a 10% da população em geral irá desenvolver, ao longo da sua vida, um quadro de dor na região do tendão de Aquiles.
A tendinopatia do tendão de Aquiles caracteriza-se pela presença de inflamação ao nível do peritendão (uma bainha que envolve o tendão de Aquiles) e/ou alterações degenerativas a nível da estrutura do próprio tendão. Estas alterações podem afetar tanto o tendão em si (corpo do tendão), como o local onde o tendão se insere no osso calcâneo (região insercional do tendão).
Causas
A origem desta patologia é multifatorial e implica:
• Microtraumatismos de repetição: Associados a algumas profissões ou desportos com impacto – corrida, saltos.
• Aumento súbito da frequência ou intensidade da atividade física
• Ganho de peso/sobrepeso/obesidade
• Uso de calçado raso ou com sola fina
• Pé cavo ou plano
• Dismetrias dos membros inferiores (ter um membro inferior maior que o outro)
Sintomas
• Dor
• Edema: Inchaço (geralmento ligeiro).
• Espessamento: Aumento da espessura do tendão de Aquiles.
• Protuberância na região posterior do calcâneo: Deformidade de Haglund.
• Rigidez matinal ou inicial: No início da marcha.
• Claudicação da marcha: Dificuldade em andar, coxear.
• Intolerância a determinados tipos de calçado: Calçado raso ou calçado que contacta com a região afetada do tendão.
Exames Complementares de Diagnóstico
• Raios-X: Permite avaliar a forma do pé, como este se comporta em carga, identificar a presença de calcificações na estrutura do tendão e a deformidade de Haglund.
• Ecografia ou Ressonância magnética: Permite avaliar a extensão/gravidade da patologia, a inflamação do peritendão e das bursas envolventes ao tendão (bursite), a presença de calcificações e de alterações degenerativas a nível do tendão. Por vezes detecta roturas de espessura incompleta do tendão.
Tratamento
O tratamento é, inicialmente, conservador. A cirurgia está reservada para situações em que os sintomas se mantêm após esta primeira abordagem.
Tratamento Conservador
Indicado como primeira linha na grande maioria dos casos, implicando:
• Perda de peso
• Evicção de microtraumatismos de repetição
• Adaptação da actividade desportiva
• Exercícios de estiramentos (alongar) os gémeos e o tendão de Aquiles
• Calçado com bom suporte, sola semi-rígida e elevado na parte de trás
• Fisioterapia
• Analgésicos
• Anti-inflamatórios não-esteróides orais e locais
Tratamento Cirúrgico
Está indicado nos casos de falência do tratamento conservador. As técnicas cirúrgicas utilizadas variam dependendo do tipo de tendinopatia e do local de afetação do tendão.
Podem ser efetuados:
• Procedimentos ósseos ao nível do calcâneo:
– Calcaneoplastia: Remoção dos osteófitos (proeminências ósseas) e da deformidade de Haglund
– Osteotomia do calcâneo: Realização de cortes no osso para reorientá-lo de modo a que exista menos pressão a nível da região onde o tendão de Aquiles se insereo. Depois de realizada, a osteotomia é geralmente fixada com parafusos.
• Procedimentos sobre o tendão de aquiles:
– Remover as calcificações intra-tendão, as áreas de tendão não saudável, realizar tenotomias longitudinais e, quando aplicável, reinserir o tendão de Aquiles saudável no calcâneo (geralmente com sistema de âncoras).
– Transferência tendinosa do tendão longo flexor do hallux para o calcâneo: Realiza-se nos casos mais avançados em que o tendão de Aquiles já apresenta alterações degenerativas marcadas, com insuficiência deste, que impossibilitam a sua recuperação.
Todas estas técnicas cirúrgicas podem ser realizadas por via aberta ou por via minimamente invasiva (endoscópica).
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