Pé Cavo
Definição
Pé cavo: Compreendendo a elevação do arco interno do pé.
O pé cavo é uma condição caracterizada pela elevação do arco longitudinal interno do pé, verticalização do calcâneo e dos metatarsos e calcanhar neutro, inicialmente, ou em varo (para fora), depois.
É uma patologia mais frequente que o pé plano podendo atingir até cerca de 10-25% na população.
Causas
• Idiopática: O pé cavo é considerado idiopático quando não há uma clara causa definida para a deformidade.
• Congénita: As causas congénitas incluem o pé boto e a artrogripose.
• Decorrente de alterações neurológicas: Dois terços dos adultos com um pé cavo sintomático têm subjacente uma causa neurológica. A principal alteração neurológica é a doença de Charcot-Marie-Tooth mas pode ocorrer em contexto de poliomielite, paralesia cerebral, mielodisplasia, tumor medular, AVC ou neuropatias periféricas.
• Decorrente de alterações ósteo-articulares: A etiologia ósteo-articular inclui as barras ósseas (união anómala entre dois ossos), sequelas de pé equino-varo, sequelas de fracturas ou em caso de artropatias inflamatórias.
• Decorrente de alterações de partes moles: Incluem situações decorrentes de um síndrome compartimental, doença de Ledderhose, cicatrizes plantares retrácteis, queimaduras ou hipertonia da musculatura plantar.
Sintomas
• Pé elevado, em arco, rodado para fora, com calos: Objectiviza-se uma elevação do arco longitudinal interno do pé e a região dorso-lateral do pé pode ser proeminente, denotando-se ou não calosidades na região externa do pé e sob a cabeça do primeiro metatarso.
• Dor nas articulações: Durante a mobilização do tornozelo, principalmente na região posterior e externa do tornozelo e pé.
• Dor na fáscia plantar: Pode haver dor na fáscia plantar, a nível insercional (na região do calcâneo) ou não insercional (no corpo da fáscia, a meio da arcada plantar).
• Edema: Inchaço do tornozelo, que está tanto mais presente quanto maior for a carga exercida sobre o tornozelo, principalmente na região posterior e externa do tornozelo e pé.
• Dedos em garra: Podem estar presentes, pela contracção de tendões, responsáveis pela mobilização dos dedos.
• Dificuldade em apoiar o calcanhar no chão: Por encurtamento/falta de flexibilidade do tendão de aquiles.
• Entorses de repetição: Decorrente de instabilidade do tornozelo, por lesão progressiva dos ligamentos do complexo lateral, que vão progressivamente estirando e, por conseguinte, ficando mais frágeis e debilitados.
Exames Complementares de Diagnóstico
• Raios-X: O exame imagiológico de primeira linha é o Raio-X, através do qual se visualiza a estrutura global do pé e a forma como este faz o apoio ao solo. A partir dos Raios-X determina-se a posição relativa entre vários ossos e diagnostica-se as articulações artrósicas (desgastadas).
• Tomografia computadorizada: A TC permite estabelecer com mais critério a degeneração articular.
Tratamento
O tratamento, dependendo da severidade da situação, pode ser conservador ou cirúrgico.
Tratamento Conservador
• Exercícios de estiramentos (alongar) o tendão de Aquiles
• Exercícios de estiramentos (alongar) a fáscia plantar
• Reforçar a musculatura dos compartimentos anterior (da frente) e lateral do pé
• Calçado adaptado
• Uso de ortóteses/palmilhas semi-rígidas com cunha lateral e com suporte metatársico retro-capital
• Fisioterapia
• Analgésicos
• Anti-inflamatórios não-esteróides
Tratamento Cirúrgico
O tratamento cirúrgico pode ser subdividido em procedimentos de partes moles, osteotomias (cortes nos ossos para re-orientação do pé) ou artrodeses (fusão/fixação articular).
• Intervenções em partes moles: Alongamento do tendão de Aquiles, secção da fáscia plantar, libertação dos ligamentos internos do tornozelo e pé, reparação/reconstrução do complexo ligamentar lateral do tornozelo e transferências tendinosas.
• Osteotomias: Dá-se preferência às osteotomias no caso de pés com deformidades moderadas e flexíveis (osteotomia de lateralização do calcâneo e osteotomia de elevação do primeiro metatarso).
• Artrodese: As artrodeses, ou seja, os gestos cirúrgicos de fixação ou fusão articular, realizam-se em pés com deformidades graves, rígidos, artrósicos, neurológicos ou recidivantes.
Pode haver associação entre vários destes procedimentos entre si.
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